VERIFICAÇÃO DA EFICIÊNCIA E SUSTENTABILIDADE DOS DATA CENTERS DA DIGITAL REALTY COM O BUREAU VERITAS
Os data centers têm sido a pedra basilar da economia digital. Mas, nos últimos anos, a industria tem sido projetada para o centro das atenções em resultado de tecnologias emergentes como a Inteligência Artificial (IA), que vive nos data centers.
Os operadores de data centers têm sido alvo de atenção em alguns meios de comunicação social pela sua alegada falta de sustentabilidade. Um grupo de empresas líderes em data centers, incluindo alguns nomes conhecidos, e associações nacionais de data centers, decidiu auto-regular-se, lançando o Pacto para a Neutralidade Climática dos Centros de Dados (Climate Neutral Data Center Pact - CNDCP) no início de 2021, fornecendo uma abordagem estruturada para definir objectivos de KPI com o objetivo de atingir a neutralidade climática na indústria. A Digital Realty, sendo um dos maiores operadores de colocation data centers do mundo, foi um dos membros fundadores do Climate Neutral Data Center Pact [2].
No âmbito da sua ambição de auto-responsabilização e de liderança, a Digital Realty adoptou objectivos ambiciosos em matéria de alterações climáticas e eficiência energética, entre outros temas ambientais e sociais, e tomou medidas para melhorar os seus relatórios de sustentabilidade. Um Customer Data Plataforn (CDP) registou durante 5 anos a meta que a Digital estabeleceu com base em estudo cientificos para a redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) em vigor desde 2020 (operando a partir de uma linha de base de redução de emissões estabelecida em 2018), que está alinhada com o objetivo do CNDCP de neutralidade climática até 2030. Para ajudar a alcançar este objetivo, a Digital Realty tem uma política de utilização de eletricidade gerada de forma renovável, com mais de 152 de seus data centers a operar no esquema de renewable energy matching e com mais de 13 milhões de metros quadrados contruidos com certificações de green building.
Inevitavelmente, a regulamentação chegou: com mais incidência na Europa, onde o European Union’s Green Deal levou a uma série de recentes alterações na legislação que afeta todos os setores, incluindo data centers, desde a EU Taxonomy até à Energy Efficiency Directive (EED) e à Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD), documentos todos publicados desde 2020. Requisitos semelhantes também foram publicados na Ásia-Pacífico e na Califórnia nos últimos anos.A estrutura de auditoria do Climate Neutral Data Center Pact (CNDCP) abrange a maioria dos requisitos dos critérios técnicos de avaliação da Taxonomy’s Technical Screening Criteria (estrutura e sistema de avaliação da Comissão Europeia para data centers no contexto da atividade 8.1 do Taxonomy Climate Delegated Act) em termos de eficiência energética e reutilização, energias renováveis, conservação da água e economia circular. O CNDCP também se sobrepõe a alguns critérios de relatório da Energy Efficiency Directive (EED). Além disso, todos os grandes operadores de data centers (com base na definição da UE de Pequenas e Médias Empresas[3]) são obrigados, nos termos do CNDCP, a procurar uma verificação independente por terceiros da sua conformidade com estes critérios de autorregulação, o que contribui em grande medida para validar os progressos realizados no sentido atingir os objectivos estabelecidos para 2030. O requisito era concluir esta primeira validação por terceiros até 1 de julho de 2023. A auditoria tem como propósito verificar se cada signatário do pacto implementou as políticas associadas, defeniu metas e objectivos tangivéis, realizou as suas próprias auditorias internas de acordo com os critérios detalhados pelo CNDCP e mediu o resultado das melhorias de desempenho. A Digital Realty selecionou o Bureau Veritas no início de 2023 para realizar a sua validação por terceiros.
Jo-Ann Garbutt, Diretora de Sustentabilidade e Envolvimento Governamental da Digital Realty, descreve a experiência de ser auditada pelos especialistas do Bureau Veritas como “educativa”. E acrescenta: “Todas as auditorias são valiosas para promover melhorias, mas os conhecimentos e a atitude dos auditores do Bureau Veritas foram um passo mais à frente. Tornaram-nos mais inteligentes, ajudando-nos a compreender não só 'o quê', mas também 'como' apoiar formas de documentar e provar que os critérios foram cumpridos, o que aumentou a transparência em todo o processo.” Satisfeito com a experiência e os resultados da auditoria, foi pedido ao Bureau Veritas que voltasse a verificar os 106 pontos da análise técnica, tal como definido para os data centers na EU Taxonomy. Os 106 pontos foram baseados nas melhores práticas estabelecidas pelo Joint Research Council’s Code of Conduct para Data Center Energy Efficiency em 2024, um trabalho que acaba de ser concluído como uma estrutura para verificar a conformidade do operador do data center com os requisitos técnicos de triagem.
Conor Molloy, Gestor Sénior de Projeto e técnico responsável pelo esquema de verificação (auditoria) do Bureau Veritas explica: “temos de monitorizar de perto os regulamentos mais recentes para compreender onde se sobrepõem e onde existem diferenças que podem potencialmente deixar lacunas que precisam de ser colmatadas para que os nossos clientes alcancem a conformidade”. E continua dizendo: “A Digital Realty demonstrou claramente o seu compromisso com a sustentabilidade e a eficiência dos centros de dados, tanto a nível da gestão como das instalações, cumprindo os requisitos e mostrando as suas intenções e o seu empenho na melhoria contínua.”
Fonte: Jo-Ann Garbutt, Digital Realty (2024) during Bureau Veritas webinar[4]. (CPI = Continuing Performance Improvement)
Jo-Ann acrescenta o seguinte: “Aprendendo e adaptando-nos à medida que avançamos, temos também de nos manter continuamente a par dos desenvolvimentos tecnológicos: a inteligência artificial, as mini centrais nucleares, o arrefecimento líquido, os avanços nas soluções de armazenamento de dados a longo prazo estão constantemente a evoluir e a alterar o nosso contexto. Algumas destas novas tecnologias têm impacto nas nossas abordagens de eficiência energética. Isto significa que, ao mesmo tempo que obtemos resultados positivos nas auditorias, temos de continuar a procurar novas formas de servir os nossos clientes de forma sustentável.”