ISO 17359 AUDITORIAS DE MONITORIZAÇÃO DE CONDIÇÕES
ISO 17359:2018 estabelece as diretrizes para a implementação e auditoria de programas de monitorização e diagnóstico do estado das máquinas. Esta auditoria transforma a manutenção em rentabilidade, os dados em decisões estratégicas e os ativos em vantagens competitivas. Não visa apenas o cumprimento documental, mas sobretudo a eficácia na deteção precoce de falhas e a tomada de decisões com base em dados fiáveis.
O QUE É A ISO 17359 E PARA QUE SERVE?
A ISO 17359 fornece diretrizes para a monitorização de condições e diagnóstico de máquinas utilizando parâmetros como vibração, temperatura, tribologia, vazões, contaminação, potência e velocidade. A norma faz parte de um grupo de normas que abrange uma gama de normas de monitorização de condições, indispensáveis no campo da gestão de ativos.
A monitorização de condições é um componente vital da administração de ativos. A ISO 17359 é o documento principal de um grupo de normas que abrange o campo do monitorização e diagnóstico de condições, e seu uso e implementação são considerados referência para a gestão de ativos de acordo com a família de normas ISO 55000.
A norma introduz o conceito de direcionar as atividades de monitorização de condições para a deteção de sintomas de falhas de raiz e descreve a abordagem genérica para estabelecer critérios de alarme, realizar diagnósticos e prognósticos e melhorar a confiança no diagnóstico e prognóstico.
quem necessita da ISO 17359?
Plantas industriais com maquinaria crítica
Organizações onde o tempo de inatividade das máquinas gera perdas significativas de produção. A auditoria identifica oportunidades para detectar falhas antes que elas ocorram.
Empresas con ativos de alto valor
Aquelas cujo desempenho operacional depende da confiabilidade de equipamentos rotativos, motores, bombas, compressores, turbinas e transformadores.
OrganizaÇÕES focadas eM maNUTENÇÃO PREVENTIVA
Empresas que procuram otimizar os seus programas de monitorização de condições e passar da manutenção reativa para a preventiva baseada em dados.
Indústrias con requisitos de segurança e sustentabilidade
Setores onde falhas em equipamentos podem afetar a segurança industrial, o meio ambiente ou a conformidade regulamentar.
Fatores chave da monitorização de condições segundo a ISO 17359
A norma identifica vários fatores do sistema que influenciam a monitorização do estado de um equipamento. Esses fatores devem ser considerados de forma integrada para garantir que o programa de monitorização seja eficaz e capaz de detetar falhas incipientes.
- Infraestrutura e sistemas de suporte
A construção física, ressonâncias, materiais e composição que envolvem o maquinário afetam diretamente a sua operação e as medições de condição. Da mesma forma, tubulações, acessórios, trocadores de calor, condensadores e sistemas de refrigeração afetam o desempenho do equipamento. - Sistemas de controlo e proteção
Os sistemas mecânicos, elétricos, pneumáticos e hidráulicos garantem o funcionamento correto do equipamento. Os sistemas de proteção (sobrevelocidade, corrente, tensão) atuam como salvaguardas, prevenindo danos catastróficos. Uma falha nesses sistemas pode causar anomalias ou falhas em cascata. - Parâmetros operacionais e fontes de energia
Velocidade, pressão, carga, temperatura, ruído e vibração são parâmetros-chave que devem ser monitorados continuamente. As fontes de energia (elétrica, vapor, ar, hidráulica) que alimentam a máquina afetam o seu desempenho. Mudanças na qualidade ou no fornecimento de energia podem causar falhas. - Componentes mecânicos críticos
O sistema de acionamento (motor, turbina, compressor), o acoplamento e o componente acionado (rotor, bomba, gerador) são pontos críticos onde podem ocorrer problemas como desalinhamentos, desgaste ou falhas nos rolamentos. - Lubrificação e gestão de dados
A lubrificação (óleos, graxas, fluidos hidráulicos) é fundamental para o funcionamento correto. Da mesma forma, um programa de monitoramento eficaz requer gestão estruturada de dados históricos, pontos de referência, registros de aceitação e sistemas CMMS que permitam análises comparativas. - Técnicas de monitorização e fator humano
As técnicas utilizadas (inspeção visual, vibração, tribologia, termografia, acústica) são essenciais para a deteção precoce de falhas. O pessoal (operadores, técnicos de manutenção, analistas) desempenha um papel crítico na implementação e eficácia do programa.
Processo de implementação segundo a ISO 17359
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Fase 1: Definição de Obetivos e Auditoria Inicial
O primeiro passo é definir claramente o objetivo da implementação do programa de monitorização de condições, alinhando-o com os objetivos estratégicos da gestão e da organização. Não se trata apenas de «monitorizar máquinas», mas de estabelecer o que queremos alcançar: reduzir o tempo de inatividade, melhorar a segurança, prolongar a vida útil dos ativos ou aumentar a eficiência operacional.
Uma vez definido o objetivo, é realizada uma auditoria completa do parque de equipamentos. Isso implica enumerar e identificar claramente todos os equipamentos, fontes de alimentação, sistemas de controlo e sistemas de vigilância existentes. Para cada equipamento, deve-se determinar qual a função que desempenha, quais são as suas condições normais de operação e qual é a sua faixa operacional segura. Essas informações formam a base sobre a qual todo o programa de monitorização será construído.
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Fase 2_ Análises da Criticidade e Avalição Custo-Benefício
Nem todos os equipamentos requerem o mesmo nível de monitorização. Por isso, a fase seguinte consiste em realizar uma análise de criticidade que identifique quais máquinas são mais importantes para a continuidade operacional. Isto implica elaborar um diagrama de blocos de fiabilidade e criar uma lista priorizada com base em fatores como o custo do tempo de inatividade, taxas históricas de falhas, danos potenciais consequentes, custo de reposição do equipamento e impacto na segurança e no ambiente.
Simultaneamente, é realizada uma análise de custo-benefício que avalia a viabilidade económica do programa. Esta análise inclui o custo do ciclo de vida do programa, o custo da produção perdida por falhas não detetadas, danos consequentes, garantia e seguros. O objetivo é estabelecer indicadores-chave de desempenho precisos e pontos de referência que permitam medir a eficácia do programa uma vez implementado.
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Fase 3: Identificação de falhas e seleção de Paramêtros
Utilizando a análise de modo e efeito de falha (FMEA), são identificadas as falhas esperadas em cada equipamento crítico, os sintomas potenciais que precedem essas falhas e os parâmetros específicos que devem ser medidos para detectar esses sintomas. Por exemplo, num motor elétrico, as falhas podem incluir enrolamentos do rotor danificados, rotor excêntrico, danos nos rolamentos ou desalinhamento. Cada uma dessas falhas produz alterações específicas em parâmetros mensuráveis, como vibração, temperatura ou corrente elétrica.
Esta análise é crítica porque define exatamente o que vamos medir e porquê. Se uma falha não tiver um sintoma mensurável com as técnicas disponíveis, pode ser necessário aplicar uma estratégia de manutenção alternativa, como manutenção preventiva ou redesenho do equipamento.
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Fase 4: Implementação da Monitorização e Análise de Dados
Uma vez identificados os parâmetros a serem medidos, selecionam-se as técnicas de monitorização apropriadas. Estas podem incluir análise de vibração, termografia infravermelha, análise tribológica (óleos), inspeção visual, análise acústica ou monitorização de desempenho. A seleção depende dos parâmetros a serem medidos, da viabilidade de acesso ao equipamento, da complexidade do sistema de aquisição de dados necessário, dos requisitos de segurança e do custo.
O monitoramento pode ser realizado online por meio de sensores permanentes ou semipermanentes que transmitem dados continuamente, ou offline por meio de instrumentação portátil seguindo rotas predeterminadas. Os dados coletados são constantemente comparados com históricos, tendências, dados de referência ou dados representativos de máquinas semelhantes. Essa análise comparativa é o que permite detectar mudanças incipientes que indicam o desenvolvimento de falhas.
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Fase 5: Tomada de Decisões e Melhoria Contínua
Com base na análise dos dados, são tomadas decisões sobre ações de manutenção: continuar o monitoramento de rotina, reduzir o intervalo de medição, alterar a carga ou a velocidade de operação, realizar inspeção, antecipar a manutenção planeada ou realizar manutenção corretiva. Todas essas decisões são registradas e retroalimentam o sistema para formar um registo histórico que melhora continuamente o diagnóstico e o prognóstico futuro.
O programa requer revisão periódica para avaliar a eficácia das técnicas atuais, eliminar técnicas que já não são necessárias, ajustar a configuração dos alarmes e garantir uma gestão eficaz dos dados. Novas tecnologias ou técnicas que antes eram inviáveis podem tornar-se viáveis com o tempo, permitindo melhorar continuamente a capacidade de deteção de falhas.
Parâmetros de monitorização segundo o tipo de máquina
| TIPO DE MÁQUINA | PARÂMETROS DE MONITORização | FALHAS COMUNS DETECTÁVEIS |
|---|---|---|
| Motores elétricos | Vibração, temperatura, corrente elétrica, isolamento | Bobinados danificados, rotor excêntrico, danos nos rolamentos, desalinhamento, desequilíbrio |
| Turbinas (vapor, gás) | Vibração, temperatura, pressão, velocidade | Desequilíbrio, desalinhamento, erosão das pás, problemas nos rolamentos |
| Bombas e compressores | Vibração, temperatura, caudal, pressão | Cavitação, desequilíbrio, desalinhamento, desgaste de vedantes, problemas nas válvulas |
| Geradores e transformadores | Vibração, temperatura, tensão, isolamento, análise de gases | Cavitação, desequilíbrio, desalinhamento, desgaste de vedantes, problemas nas válvulas |